KlaxonsOs Klaxons estavam encarregues de continuar a boa campanha do palco secundário, depois do muito comentado concerto dos TV on The Radio. A tarefa não era fácil, mas os britânicos estiveram à altura.
O trio, que no palco passa a quarteto com um baterista convidado, já não demonstra em concerto o nervoso miudinho que marcou a sua actuação há dois anos lá mais para os lados de Sacavém. Uma evolução natural para uma banda que conta com um primeiro álbum como "Myths Of The Near Future", um caldeirão de new-rave, electro-punk, rock e pop assumido, carregado de verdadeiros singles que fizeram as delícias do muito público que os brindou com a sua presença num espaço perfeito para a exigência dançável das suas criações. 'Atlantis to Interzone', 'Golden Skans', Two Receivers', Magick', 'It's Not Over Yet', 'Gravity's Rainbow', enfim, as canções sucediam-se ao ritmo de um DJ set, na pessoa dos três britânicos meio alucinados e vestidos
à la Star Trek
meets Abba.
Os mais atentos estariam de olhos bem abertos para consumir em primeira mão por cá os tais novos temas que o trio anda a prometer há algum tempo. E a verdade é que os britânicos foram simpáticos ao mostrar pelo menos dois. Títulos nem ouvi-los, já que foi parco em conversa o principal vocalista Jamie Reynolds, mas uma busca rápida leva-nos pelo menos a 'The Parhelion', canção que até já teve direito a mudança de nome já que antes chamava-se 'Valley Of The Calm Trees'. Cheios de retoques fantasmagórios, os novos temas puseram quase toda a gente a dançar e abriram, e bem, o apetite para o segundo disco, entretanto adiado para 2010.
Eagles of Death MetalOs
Eagles of Death Metal apresentaram-se ao público do Alive cheios de vontade de animarem a malta, pouca ainda a esta hora, mas conhecedora. Ao primeiro olhar foi notória a falta de Josh Homme dos Queens of The Stone Age na bateria, mas o facto foi rapidamente apagado porque Jesse Hughes, o vocalista da bigodaça à motoqueiro e o cabelo à Tom Petty, encarregou-se de pôr o público a mexer, saltar e celebrar o puro e duro rock n' roll.
As guitarras são a alma e a base desta banda sempre mutável que esta tarde se apresentou como quarteto. Assim uma espécie de arma sempre pronta a invadir a terra com o poder do rock. Tudo comandado por Hughes, a figura onde todas as atenções se centram. Ele abana as ancas. Ele faz de maestro de um coro de berros do público. Tira a t-shirt. Enfim, é a personificação da cabeça aos pés da estrela de rock à antiga, daqueles que andavam com a guitarra nas costas pelas estradas intermináveis dos EUA. 'Heart On', 'Anything 'Cept the Truth', 'Whorehoppin (Shit, Godmann)', 'I Want You So Hard (Boy's Bad News)', dedicada aos Placebo, 'Wannabe In L.A', foram algumas das canções que se ouviram quando o sol começou a aproximar-se do «oceano», tantas vezes evocado por Hughes como umas das razões por estar a adorar a passagem por Portugal.
Ting Tings«Esta é a primeira vez que tocamos em Portugal. Estamos muito contentes de estar aqui. O meu português é uma grande merda por isso vamos mas é começar», isto lido num português com sotaque inglês e temos as boas vindas de Katie White dos
Ting Tings ao público que deixou os Prodigy no palco principal, para os ver no Palco Super Bock. E nem precisou ser muito para deixar o duo contente com a estreia por cá. A verdade é que "We Started Nothing", o primeiro disco do grupo, deixa qualquer um curioso sobre a sua apresentação ao vivo, para pelo menos confirmar se Katie e Jules de Martino chegam para a festa. E chegam.
Enquadrados por samples, muitos deles repetidos em coro pelo público, os dois músicos - ele na bateria, ela nos teclados, na guitarra e na voz - são os imparáveis mestres de cerimónia de 40 minutos de pura celebração da descontracção. Os culpados? Katie White, assim uma espécie de Kim Wilde depois de pedir roupas emprestadas a Debbie Harry, que não pára e até se diverte com a distorção da guitarra, mas sobretudo a dinâmica das versões ao vivo de 'We Walk', 'Fruit Machine', 'Keep Your Head', 'Be the One', e a santa trindade 'Great DJ', 'Shut Up and Let Me Go' e 'That's Not My Name'. Os Ting Tings não vieram cá para mudar o mundo da música, mas são bem capazes de deixar vários sorrisos em quem os encontrar por aí. E pensar que correram o risco de não tocar esta noite por falta de material...
Rita T. in Cotonete
Etiquetas: Eagles of Death Metal, Klaxons, The Ting Tings